LX80

Monday, June 07, 2004

Campeonato Nacional de Dj´s - 1987

Nos anos 80 e para lá das Discotecas da Capital e Linha tinhamos todos uma discoteca de eleição na província.

As segundas casas das famílias das classes média-alta e alta muitas vezes influenciavam a escolha dos mais abastados, outros faziam mesmo a viagem de ida e volta numa mesma noite.

A Sul o Seagle de cheiro a maresia, a Oeste o Tunel cuja primitiva pista mais parecia um ringue de box, e o Maria Bolachas (a que chamávamos de Betolandia), no Ribatejo a Horta da Fonte (Cartaxo) e o Pim-Pim (Tomar-onde paravam o Miguel e a Jacinta, celebridades do RRV e onde o DJ era um talentoso Manuel Graça)

Uma célebre manhã chegámos a apanhar o comboio regional (éramos uns 30) para confirmar a fama do Graça. Gostámos ficámos clientes e amigos.

Em 1987 o Graça concorreu ao Campeonato Nacional de DJ's. Quando soubemos ia-se já disputar a segunda eliminatória na Horta da Fonte.

Fomos 4 no Spider 2000 do Nuno e quando chegámos o porteiro lembrou-se que só entravam Casais. Pensamento rápido, resposta célere e improvisada, o creativo do grupo responde: "Somos da imprensa". Desculpas apresentadas entrámos e a gerência patrocinou as bebidas.

Na Horta, a loucura. As hostes de Tomar em grande número: O Salvado, o Camané, o Rui Marcol, o Brito, a Cristina Cristovão, a Isabel Marçal, o China, o Mafu, o Fernando da Tuba, o Carica, o Lara ao todo eramos uns 30.
Grande noite. Graça fica em primeiro.

Eliminatória seguinte: Surprise (Cernache-Coimbra)
3 à aventura. O Samuel Pimenta (rei de Massamá) no volante põe-nos em Coimbra em 2 horas ao volante do 205 vermelho. Entretanto depois do sucesso do esquema da Horta. o Manuel Luís manda uma carta à gerência a solicitar a colaboração para um estudo sobre as melhores discotecas. Chegamos à Discoteca, o Samuel de bloco de notas, eu com a Kodak e o manuel com um gravador do tamanho de uma caixa de sapatos. Á chegada o proprietário oferece-nos o jantar e claro bebidas à discrição.

Tomarenses, menos que no Cartaxo mas o Graça com um pequeno deslize conquista um 2º lugar e fica apurado à tangente.

Meias-finais: Paradise(?) Vieira de Leiria. Aventureiros: Paulo Nunes, Manuel Luís, Eu e o Lara. Grande noite. Tomar em peso. Graça no seu melhor e primeiro lugar. Ah já me esquecia continuámos o nosso estudo sobre discotecas e mais uma noite em grande com bebidas à borla que entretanto distribuíamos pela rapaziada de Tomar (que até essa noite estavam sem saber porque é que nós nunca pagávamos).

Noite da Final: Amadora-Danceteria Lido. Sabiamos que em Lisboa o esquema não resultava, comprámos bilhetes. Na porta de creditação dos jornalistas uma fila de Tomarenses com dezenas de pseudo-cartões fabricados pelo CaMané... alguns safaram-se.

Existia nesse tempo uma discoteca, o 24 (lá pró norte). Eram muitos mas Tomar estava presente. Os Tomarenses da grande cidade tb lá estavam entra o Graça, o delírio milhares de estrelas pirotécnicas acesas uma coreografia com retalhos de branco. Um sucesso, a transmissão em directo pela saudosa Cidade e um justo 2º lugar. O homem do Norte era mesmo bom.

No regresso o autocarro fretado pelo Salvado deixava meia turma em terra. Mo meu Moke levei 6 pró Lumiar e a certeza de ter acompanhado e apoiado o melhor DJ dos anos 80.

Um abraço Manel.




Sunday, June 06, 2004

Insónias

LX80

Éramos os do costume. 4 DT50, uma Casal Boss e a minha Mobilette. Partia a caravana para o RRV (Rock Rendez Vous). Chegávamos gloriosos à Beneficência, capacetes AGV debaixo dos braços, calças Lois, botas de cano alto ou mocassins, pullovers de lã com duas barras tricotados pelas mães, cabelos longos.

A ementa musical invariavelmente incluía U2, Bryan Adams, Simple Minds, Clash e Billy Idol. Para trás ficavam Ramones, Cheap Treack, Fisher Z e as pioneiras dicotecas das matinés (Porão da nau e Archote) sobravam agora para a rapaziada dos subúrbios e para uns quantos jogadores provincianos das escolas do Sporting e Benfica.

Hipnotizados defronte do Ecran que tantas vezes exibiu aquele histórico liveclip do tema Sunday Bloody Sunday dezenas de cabeleiras agitavam-se em uníssono.

As sessões começavam ás 16h. Lá pelas 17h chegava o Chico Loironho, vulgo Chico Surf, vulgo Chico da Kawa... Lider natural de uma geração carismática.

Depois eram as despedidas húmidas na paragem do 46, as idas pra casa do Rui Gordo.

Seguiam-se os Bifes na Portugália.

Á noite concentração no Vavá. O grupo aumentava com os reforços da Praceta João do Rio, e tb com o Cristo, o Flappy, o Miguel Mota da Quinta das Mouras e tantos outros cujo nome há muitos se apagaram

Em grupo saíamos para o 2 ou para o Jet Set. Caras, sempre as mesmas mais algumas tribos da linha.

Lisboa cidade encontrava-se na Linha. Campo de Ourique: Zè Cro Magnon, Porkies. Restelo: Filipe Gordo e amigos. Av.Roma: Cristo, Paulo Alexandre, Cristovão, Flappy etc., Benfica: o Chico Surf e o irmão, João Santana. Lumiar: o Hugo Preto, a Valentina, o João Pedro, o João Diogo, mais tarde a Maria C. Mouras: Nuno Leitão, Didier, Xico Monteiro, os irmãos Neves. Anjos: os manos Macbeth. E outros como a Bebé, a Jacinta, a Vanda, as gémeas de Linda-a-velha, o Americano, o Paulo Brasileiro...

No regresso alguns troféus, as noites na praia, os bolos da Praça do Chile e o dia a nascer...